Diário digital de
Roberta Novis
e Zean Bravo,
repórteres do DIA que se passaram por turistas estrangeiros para testar como os cariocas tratam os visitantes

O DIA na Folia
Ver�o 2004
Cristo Redentor
Turismo
S�o Sebasti�o
P�o de A��car
Ilha Fiscal

Chegada
Pão de Açúcar
Praia Vermelha
Corcovado
Copacabana
Ipanema
Rocinha
Centro
Jardim Botânico
Gávea

A hospitalidade dos cariocas, que sabem receber turistas e faz�-los sentirem-se bem

�nibus e metr� s�o boas op��es de locomo��o na Zona Sul e Centro da cidade.

Banheiros nos postos da orla em �timo estado. Com R$ 1, o visitante ganha um kit-higiene.

As incont�veis belezas naturais. �O Rio de Janeiro continua lindo...�. Sempre!

Policiais e guardas municipais que se esfor�am para ajudar mesmo em linguagem gestual.

Pre�os abusivos de t�xis nos principais pontos tur�sticos e aeroportos da cidade.

A prostitui��o e drogas sempre � vista em Copacabana, o que incomoda os turistas.

Exagerada oferta de roteiro sexual noturno nas ruas e Praia de Copacabana.

As sempre vazias cabines da PM na orla. Pedir informa��o, nem pensar!

Os policiais despreparados e de m� vontade para atender e ajudar os visitantes.

21/01/2004 17:33
CHUVA E CHEIRO DE XIXI NO MOVIMENTADO CENTRO DO RIO



Ficamos devendo nossas impressões gringas sobre o Centro da cidade aqui no blog. O começo dessa parte da aventura, já contamos no domingo, foi quando conhecemos o quarteto de americanas no metrô, em Copacabana, a caminho da Estação da Carioca.

Assim que chegamos ao nosso destino, nos despedimos das novas amigas, que foram registradas por nossa câmera ainda dentro do metrô - elas também quiseram tirar foto com a gente, ali mesmo na Rio Branco. Coisa de turista!

Elas seguiram para Niterói. E nós? Depois de um tempo 'perdidos', em meio de tanta gente, tentamos fugir da chuva fina que começava a cair. Fomos tentar informação sobre como chegar ao Theatro Municipal (em uma bela foto noturna, acima), nossa primeira parada, numa cabine da PM. Usando mímica e boa-vontade, o guarda nos mostrou o caminho para o teatro.

Chegando lá, ficamos meio perdidos de novo! A entrada principal, em frente à Praça Floriano, na Cinelândia, estava fechada. Demorou para descobrir que para chegar ao balcão de informações e saber mais sobre como é o tour dentro do teatro, teríamos que dar a volta até o que parece ser os fundos do prédio. Ao passar pelo lado do teatro na Avenida Rio Branco notamos que muita gente deve usar aquelas paredes como banheiro. O cheiro de xixi era forte, uma vergonha!

Já do lado de dentro, esperamos alguém que falasse Inglês para nos atender. Uma senhora muito simpática explicou que a visita duraria uns 40 minutos. Decidimos deixar para depois.

De lá, foi só atravessar a rua até o Museu Nacional de Belas Artes. Ninguém sabia informar nada em inglês, mas - para nossa sorte - uma adolescente que visitava o lugar nos explicou que as legendas das exposições tinham versão na 'nossa língua'.

Como a idéia era só testar como seríamos atendidos, demos meia volta e fomos andando até o Centro Cultural Banco do Brasil, perguntando para as pessoas na rua como fazia para chegar. Não foi difícil. Nessa hora, até o tempo ajudou e a chuva deu uma trégua. Pena que a exposição sobre a África, explicou uma funcionária, tinha saído de cartaz.
enviada por Alex Ventura



19/01/2004 23:14
NOVIDADES PARA OS TURISTAS

Ôpa! Novidades para os amigos gringos. Quem está acompanhando nosso blog - misto de reportagem e passeio turístico pelo Rio -, já ficou sabendo que as autoridades leram a matéria e prometeram mudanças para melhor receber os visitantes estrangeiros. Na prática, os turistas que vêm ao Rio já contam com um novo serviço: o Disque-Turismo.

Ligando para 0800-282-2007 é possível obter informações gratuitas sobre eventos, clima, hotéis, pousadas e passeios em todo o Estado e Município do Rio, de segunda-feira a sábado, das 8h às 20h. Após esse horário, haverá atendimento eletrônico. O serviço será inaugurado oficialmente nesta quarta-feira.



O simpático casal de iugoslavos da foto acima - Srdan Maric, 28 anos, e Natasa Koler, 22, - aprovou o serviço e já fez a primeira ligação hoje. “Agora, poderemos visitar outros lugares da cidade. Só estamos em áreas como Copacabana e Pão de Açúcar. Vai ser muito útil”, disse ele.

Além do telefone, os visitantes terão outras novidades: oito totens de auto-atendimento nos principais pontos turísticos e mais cinco pórticos rodoviários (balcões) para facilitar o acesso à informação.



Em parceria com o Detran-RJ, a Secretaria Estadual de Turismo selecionou 10 funcionários bilíngües que já trabalhavam no teleatendimento do orgão de trânsito. Aline Nunes (de camisa verde na foto acima) tem 29 anos, trabalha há seis no Detran e fala Inglês e Espanhol. “Trabalhar aqui, praticando idiomas, é bom para o currículo”, disse ela, que como os outros atendentes passaram por curso de especialização em turismo após ser selecionados pela TurisRio. As ligações serão pagas pelo estado.

Os totens serão instalados no Rio Sul, BarraShopping, Maracanã, Rodoviária Novo Rio, Corcovado, Pão de Açúcar, Aeroporto Internacional Tom Jobim e na Saara. Os pórticos serão colocados na Via Dutra, Rio-Santos, Rio-Petrópolis e Região dos Lagos. “Não sabemos se colocamos outro em Itaperuna ou na estrada para quem vem de Campos”, disse Sérgio Ricardo de Almeida, secretário estadual de Turismo. “O importante é a sinalização”.
enviada por Alex Ventura



19/01/2004 00:04
PARA O RIO RECEBER MELHOR OS GRINGOS



Caramba, como nossa matéria teve repercussão! Além dos elogios dos inúmeros leitores que a leram - pela internet ou pelo jornal impresso (reproduzida na foto acima) -, as "autoridades competentes" também conferiram como é ser turista no Rio.

Falta de capacitação profissional e sinalização são os principais problemas da cidade para os turistas, de acordo com autoridades do município e do Governo estadual. O prefeito Cesar Maia garante que a falta de informação, um dos problemas apontados pela reportagem, começa a ser resolvido. “O corredor turístico da cidade e os pontos de interesse para os Jogos Pan-Americanos de 2007 já estão recebendo sinalização”.

De acordo com o secretário estadual de Turismo e presidente da TurisRio, Sérgio Ricardo Almeida, há apenas 10 anos o Brasil começou a investir no setor. “A falta de capacitação é substituída pelo espírito carioca de receber bem. Mas não é suficiente”, disse.

Ele explicou que, quarta-feira, haverá mais duas opções de atendimento: o Disque-Turismo (0800-2622007) e oito totens de informação espalhados pela cidade. “O telefone é uma parceria com o Detran e vai proporcionar dicas e serviços do município e do estado, assim como os quiosques de informação”, disse.

Sérgio Ricardo sugere ainda punição severa aos taxistas que cobram preços abusivos aos visitantes em pontos turísticos. “Esses taxistas-bandalhas devem ser punidos pela SMTU com multas ou com a cassação da licença. Se o governo investir em sinalização turística e capacitação profissional, vamos longe”, disse. Ele continua: “O que falta no povo carioca é a consciência de que o turista gera emprego e renda. Ou seja, falta a cultura do turismo”.

Essas também são as maiores preocupações do secretário municipal de Turismo, Rubem Medina. Para viabilizar a profissionalização do segmento, um projeto, já aprovado pelo prefeito Cesar Maia, chamado Rio Hospitaleiro, vai capacitar 2.500 funcionários de turismo com aulas de idiomas, relações públicas, cidadania e hospitalidade.
enviada por Alex Ventura



17/01/2004 21:49
GRINGOS NO RIO OU TURISTAS ACIDENTAIS



Que o Rio de Janeiro é lindo, a gente já sabia. Mas, depois de uma semana percorrendo os pontos turísticos da cidade, deu para confirmar outra máxima: o carioca sabe se divertir. E qualquer um se contagia com a hospitalidade deles, que ajudam visitantes mesmo sem entender Inglês.

Vestidos com bermudas, sandálias e chapéu e munidos de protetor solar, mochila, e máquina fotográfica, e falando Inglês a toda hora, passamos fácil como um casal de férias no Brasil. Tanto os cariocas quanto os turistas nos trataram como tal. Nós nos apresentávamos como Rebecca, de Indiana, Estados Unidos, e Zían, de um vilarejo da Holanda. Fazer amizade podia denunciar o disfarce, e por três vezes quase fomos descobertos.

Bom confirmar que o Rio seja uma cidade hospitaleira e tão cheia de potencial, mesmo que ainda não aproveitado ao máximo. Ser turista aqui é nota 10! Só queremos nos desculpar pelas identidades falsas mantidas até o fim desta reportagem. O disfarce era fundamental para a fiel avaliação da cidade vista com olhos de quem vem de fora.
enviada por Alex Ventura



17/01/2004 21:48
A "CHEGADA"

OK, aquele jeitinho típico, a tal malandragem, é fundamental para se dar bem por lá. Ou alguém duvida que, se fôssemos locais, cairíamos no conto do taxista que cobrou R$ 60 pelo trajeto do Aeroporto Internacional Tom Jobim até o Shopping Rio Sul, depois do desembarque? Não demorou muito para descobrir que qualquer carioca pagaria R$ 35 pela corrida. Mas isso não arranha a imagem da cidade entre os gringos (somos chamados assim). Fomos muito bem-recebidos por uma estagiária que atende no balcão de informações do aeroporto. Ela distribuiu mapas, dicas e atenção especial. Aqui, os americanos são fichados no desembarque. Alguns deles ficam aborrecidos. Mas tudo passa ao olhar, pela primeira vez, o famoso Corcovado.



O polêmico fichamento de americanos no Brasil é visto pela maioria deles como retaliação do Governo às medidas adotadas pelas autoridades de seu país. Com 65% das opiniões, esse é um dos resultados da pesquisa feita pela UniverCidade, a pedido da prefeitura, dias 9 e 10. Foram entrevistados 200 americanos no Aeroporto Internacional e no Píer Mauá. Para 20% dos turistas, o Brasil vive problemas de terrorismo. Os 15% restantes acham que é por segurança interna. O americano Paul Smith (na foto acima), 59, não se importou com o fichamento. Sentindo-se seguro na cidade, disse, no Pão de Açúcar, que pretende voltar.
enviada por Alex Ventura



17/01/2004 21:48
PRAIA VERMELHA



Esta foto mostra o restaurante escolhido para almoço na Praia Vermelha, abençoado pelo visual do Pão de Açúcar. Quer melhor? A gente aproveita para contar que, aqui no Rio, se o carioca não fala inglês, grita em português com o pobre coitado do turista - que não é surdo.

Engraçado foi continuar o disfarce diante de um taxista que aumentava o tom de voz à medida que ia se desesperando. “Para que lugar de Santa Teresa vocês querem ir? Lá é enorme!”. Caprichando no Inglês, apenas repetíamos: “We want to go to Santa Teresa”. Saldo positivo. Por R$ 20 - 40 centavos a menos do que marcava a tabela -, nos levou de Ipanema ao Largo dos Guimarães e nos mostrava placas com o nome do bairro para confirmar o trajeto. Até lá, gritou muito.

O taxista vascaíno Marcos Henrique Braz Pereira nos conquistou. Vencido o obstáculo da língua - Rebecca deu trégua e falou em Espanhol - e da negociação da corrida do Cosme Velho ao Corcovado, ele se revelou um verdadeiro anfitrião carioca. Nos esperou por uma hora no Cristo e, de quebra, nos levou até Copacabana sem cobrar nada a mais. Seduzidos pela vontade de revelar nossa identidade, prosseguimos no bom papo. “Que jornal você lê?”. Sem titubear, respondeu: “O DIA, o melhor na certa”.
enviada por Alex Ventura



17/01/2004 21:47
PÃO DE ACÚCAR



Boa parte dos turistas – só neste verão, passarão dois milhões e 715 mil pela cidade – também concorda que o Rio é o que há. “Estamos fascinados com tanta beleza”, empolgou-se o canadense Mark Fagnou, 30 anos, ao lado da namorada, Amanda Benlemane, 27, no Pão de Açúcar (os dois, na foto acima), a primeira parada depois do Rio Sul. Fomos a pé, depois de buscar informação no shopping. Lá, existe um balcão da TurisRio, mas o funcionário pouco ajudou.

Durante a viagem, o tempo não ajudou muito. Mesmo assim, conhecer o Pão de Açúcar era fundamental. O Pão de Açúcar merece a fama que tem: espetacular! Fizemos até foto no prato. Lá, estavam os canadenses Mark e Amanda. Eles ficaram encantados com a vista – que só pôde ser apreciada do Morro da Urca. Na saída, o policial especializado em turismo (BPTur) não falava Inglês e nem soube informar como chegar ao Corcovado de ônibus: “Vão de táxi”.
enviada por Alex Ventura



17/01/2004 21:47
CORCOVADO



Contrariamos e fomos de ônibus com os ingleses boas-praças da foto acima, John e Catherine, com quem havíamos esbarrado no shopping. “Nos sentimos seguros aqui e vamos de ônibus para todos os lugares”, garantiu ela, que estava comendo frango há uma semana por não entender o que dizem os cardápios. “Lamento não ter aprendido Português antes”. Simpáticos, eles pareceram não estranhar o nosso interesse de registrá-los numa foto, após três minutos de papo.



Depois de tomar outro ônibus, a parada foi o Cosme Velho. O tempo estava nublado, mas quem iria nos convencer a não subir o Corcovado? Fomos até disputados pelos taxistas. “O bondinho custa R$ 60. Comigo, por R$ 70, vocês visitam dois mirantes e o Corcovado”, disse um. Minutos mais tarde, ele brigava com outro taxista, que cobrou R$ 60 pelo serviço. Lá em cima, só deu para ver estátua, mas valeu.



Turista ajuda turista, seja para tirar foto, passar dicas e experiências ou fazer companhia para quem viaja sozinho. Caso da belga Veerla (foto acima), que encontramos no Corcovado. Durante a visita de uma hora no Cristo, trocamos impressões de comida e até preços de imóveis na Urca, onde estava hospedada em albergue. A foto nos mostra no mais popular ponto turístico da cidade. Dá para nos reconhecer e os pés do Cristo lá no fundo com tudo nublado? Nem dá para reclamar.

Ainda no Corcovado, nosso disfarce de "turista acidental" quase vai por água abaixo. A belga Veerla Demarez se sentiu próxima a Zían, nosso repórter de plantão, assim como seus países de origem. Falou em Holandês, ele disfarçou. “De que lugar da Holanda você é? Conheço tudo lá”, perguntou a gringa. O jeito foi inventar um vilarejo.
enviada por Alex Ventura



17/01/2004 21:47
COPACABANA



Tradição só não basta. Todo mundo espera mais de Copacabana. Mal chegamos, e um sujeito com cara de hippie ofereceu drogas. Se a gente falasse Português, a impressão seria pior. Eram 19h15 quando um grupo de Reservistas da Paz, parado na Constante Ramos com Atlântica, nos ensinou como chegar a Santa Teresa de ônibus através de mímica. Mas foi virar as costas para ouvir: “Vocês vão se f., vão tomar muita bala. Lá só tem favela”. Nem tudo está perdido. Minutos antes, o PM Mello, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana com a Rua Bolívar, falava um Inglês desembaraçado e até se desculpou pela falta de prática porque aquele era seu primeiro dia de trabalho.

Copacabana não é mesmo unanimidade entre turistas. “Estou hospedada lá, e só me ofereceram show de mulheres à noite”, reclamou a francesa Leticia Bansard, 24 anos. E completou: “Para fugir desse roteiro, só conhecendo verdadeiros cariocas”. “De quatro em quatro minutos, sou abordado por meninas de 16 anos, pedindo que lhes compre um drinque. O bairro é turístico demais. Prefiro andar nas ruas de Ipanema e Leblon”, completou Michal Linhart, 26, da República Tcheca.

Ah, a foto que abre esse post, do "holandês" Zían, foi tirada no Pão de Açúcar, apesar de estarmos falando sobre Copacabana. Coisas de turistas acidentais.
enviada por Alex Ventura



17/01/2004 21:46
IPANEMA



Templo nublado na Praia de Ipanema. Conhecemos os italianos Giorgio Angelo e Luigi Cazabria, ambos de 29 anos e felizes que nem pinto no lixo, na foto acima. Eles não estavam assustados com a violência mesmo depois de terem sofrido uma tentativa de assalto em Copacabana. “Pensei que fosse pior”, desabafou Luigi. Mas, por via das dúvidas, os dois só andavam de táxi.



Seguindo pelas ruas do bairro, três finlandeses (foto acima) tomavam café da manhã às 17h. Não era a primeira vez deles na cidade, que justificaram a volta declarando amor quase incondicional ao Rio. “Viemos aqui há dois anos e percebemos que a segurança melhorou”, disse Olli Koivnha, 23. Ele, Kaiju Karvinem, 21, e John Seppanem, 23, tinham na agenda visita marcada à Ilha Grande.



Nosso disfarce de turista quase foi descoberto pela segunda vez no bar Garota de Ipanema, quando o turista Michal Linhart (na foto acima, todo rosado de sol) se convidou para sentar com a gente e perguntou sobre a Holanda. “Por que, durante os jogos de futebol, os holandeses levantam uma bandeira de Israel? Por quê?”. Também não tínhamos a menor idéia. Mais eis a resposta, pesquisada após nosso tour: o principal time da Holanda, o Ajax, tem enorme torcida judaica. Por isso, durante os jogos, a espectadores levantam bandeiras de Israel e outras com o símbolo da Estrela de Davi.
enviada por Alex Ventura



17/01/2004 21:34
ROCINHA



Agora, nossa experiência numa favela. E por que não, a maior do Rio? No local, um cartaz dá boas-vindas numa loja. Logo ao parar numa barraca que vendia quadros feitos por moradores da Rocinha, achamos que o passeio de jipe (foto abaixo) pela favela-bairro parecia coisa para gringo ver. Engano. Na laje de uma casa, no alto do morro, o guia Alex Ristoff, 26 anos, gastava seu Inglês ao explicar a realidade da favela para os turistas.



O guia falou como funcionava o tráfico, o porquê dos meninos soltando pipa e até sobre o lixo reciclado e doenças ali expostas por falta de ventilação. Impressionante. Fomos bem-recebidos pelos moradores ao som de fogos de artifício. “O que é isso?”, perguntou um turista.



Dez minutos depois, esbarrávamos com dois camburões de polícia e soldados com fuzis à mostra. “É o sinal de que a polícia está entrando. Mas eles não saem do carro. Chega a ser injusta essa luta porque os bandidos são mais bem armados”, comentou Alex, sem esconder nada dos visitantes, que por nenhum momento se sentiram inseguros. Durante o passeio de três horas, tivemos uma verdadeira aula das diferenças sociais. E basta ver a foto acima da Rocinha para comprovar isso.



E foi na Rocinha a terceira - e graças a São Sebastião - última vez que nosso disfarce quase é desmascarado. Rebecca (Roberta, toda sorridente na foto acima) conheceu um parisiense. “Jura?? Da França? Acredita que eu estava lá em 1998 quando o Brasil perdeu a Copa do Mundo? Até hoje não sei o que aconteceu com o Ronaldo! Você pode acreditar? Eu, lá?”. Segurando seu braço, Zían trouxe Rebecca de volta à realidade americana. “Qual é o problema, amor? Você é de Indiana. Isso não interferiu em sua vida!”, ria ele. O francês não entendeu nada. O guia do jipe também não. “Qual o nome desse cara?”, perguntou o motorista, sobre Zían. “Ih, muito complicado. Não entendi não”. Foi duro segurar a gargalhada.
enviada por Alex Ventura



17/01/2004 21:34
CENTRO



Dentro do metrô, a caminho do Centro, conhecemos as nova-iorquinas da foto acima: Kim Byeander, 26, Kakra Soadwa, 23, Moriah McSharry, 27, e Deborah Horowitz, 27. Elas visitavam os hospitais públicos da cidade para a tese de mestrado em Saúde Pública. “Viemos aprender sobre saúde e tivemos aulas de belezas naturais”, elogiou Kim, que desceu no Centro a caminho de Niterói! Pena que a viagem acabou antes da inauguração, pela secretaria estadual de Turismo, do Disque-Turismo (0800-2622007), quarta-feira, 21, que promete tirar todas as dúvidas dos gringos.

Ah, no Centro, visitamos o Teatro Municipal, o Museu Nacional de Belas Artes e o Centro Cultural Banco do Brasil.
enviada por Alex Ventura



17/01/2004 21:33
JARDIM BOTÂNICO



Começar o dia no Jardim Botânico faz qualquer um acreditar na paz mundial. Mesmo sem entender Inglês, dois senhores gastaram o repertório de mímicas para mostrar filhotes de passarinhos. O lugar é perfeito para fazer amizade com outros gringos. Olha que fotão um velhinho americano, o Hank, tirou da gente! Valeu perguntar qual ônibus tomar para Ipanema ao deixar o Jardim Botânico, na lojinha do parque. A vendedora tinha um papel com as linhas que passam por Leblon, Ipanema e Copacabana impressas. Nesse trajeto, conhecemos as francesas Leticia Bansard e Sophie Levasseur, que nos ensinaram: “É melhor andar com bolsas pequenas e deixar o passaporte no hotel”.
enviada por Alex Ventura



17/01/2004 21:31
GÁVEA



A aventura não acabou por aí. O disfarce quase caiu por terra quando Rebecca/Roberta levou um tombo ao descer do ônibus – mico total – e torceu o pé direito. Iríamos conhecer a Gávea e não conseguia andar. E uma coisa a gente sabe: turista anda muito! Fomos ao Hospital ao Miguel Couto, no Leblon. Decidimos manter o disfarce, desde que a repórter/turista fosse atendida. Roberta nos conta sua experiência num hospital público carioca: "Entrei às 18h25. Uma simpática senhora me levou ao ortopedista, doutor Roberto, que me examinou e sugeriu exame de raios X. No segundo andar do hospital, fila para o exame. Dez minutos depois, com a radiografia na mão, voltei ao médico. 'Não é nada. Só torção'. Ao lado da mesa dele, um funcionário imobilizou meu pé. Eram 19h05. Atendimento nota 10!"
enviada por Alex Ventura






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